domingo, 31 de maio de 2009

Da Parvoíce à seriedade...

... vai um saltinho muito pequenino, no que a mim diz respeito. Posso abordar assuntos extremamente sérios como situação económico-financeira portuguesa / mundial, política portuguesa / internacional como falar de futebol ( do meu puarto cuarago[ e não só ]! ), cinema, música ou livros. Poderão ver-me aqui a " aparvalhar " um bocado, mas provavelmente irão habituar-se ao 'clima'.

Quero agradecer o convite ao Mr.  Connections pelo convite. Terei todo o prazer em (o)pinar (n)o blog =)

quinta-feira, 28 de maio de 2009

Popularidade Europeia - sinceridade sempre!

Perante a proposta de criação de criação de um novo imposto (o que popularmente é sempre desagradável), segundo o Económico a reacção de um alto responsável político foi a seguinte:

"Não lhes chegam ver a Europa com o nível de popularidade
mais baixo de sempre? Querem pior?"


Bem, esta declaração revela claramente qual o espírito de um político em qualquer órgão, seja europeu, governamental ou autárquico: ser popular. O resto (competência e o bem estar da sociedade) fica para segundo plano.
Não é necessário recorrer a nenhum estudo, são os próprios políticos que o assumem.
Nota: este comentário refere-se apenas à declaração do político e não à criação do imposto propriamente dita.

sexta-feira, 22 de maio de 2009

Haverá luz em Nova Iorque?

Numa altura me que a actividade cultural das cidades é mais que nunca tema de crítica por parte de quase toda a gente, julgo que é necessária uma análise detalhada de tudo o que por aí existe. Será que são as cidades que não oferecem cultura ou seremos nós que não a procuramos. Darei alguns exemplos. De grandes metrópoles a pequenas cidades para que compreendam melhor daquilo que falo. Assim vejamos:

Nova Iorque: Quando esta cidade deixar de ter actividade cultural é porque a cultura deixou de existir. Actualmente é sem dúvida a cidade mais dinâmica do mundo em actividades culturais de todo o tipo e género senão vejamos. Por dia existem mais de 5mil iniciativas de todo o tipo. Todos os minutos está algo novo a estrear. A dificuldade é mesmo calendarizar o que se quer ver de uma forma muito cuidadosa para que nada seja deixado de parte. Sinceramente acho que quando há de mais as pessoas não dão quase importância às diversas actividades. Esse neste momento é um problema grave da cidade. A quantidade de coisas que existe é tão grande que quase não há espaço para lançar uma crítica sobre o filme "A" ou sobre a peça de teatro "X" ou sobre a exposição "Y".

Porto: Fico espantado com os que dizem que o Porto não tem actividade cultural. Para a dimensão da cidade julgo que está bastante bem servido. Só para vos dar um exemplo muito simples vejamos o que acontece hoje de actividades culturais no Porto:

  1. Sequeira Costa com a Orquestra Nacional do Porto na casa da música
  2. Festa da cereja do mundo rural na Quinta da Bonjóia
  3. XVI Festival de Tunas do ISEP na Praça Sandeman
  4. Música na Tertúlia Castelense
  5. Teatro Wonderland
  6. Pasion de Buena Vista (teatro) no Coliseu do Porto
Para quem tem dúvidas do que digo basta efectuar download deste pdf -> http://www.cm-porto.pt/users/0/58/iporto09_be94f1d0505101f2214d0ac17812efdb.pdf e poderá ver tudo o que se passa de cultura no Porto que na minha opinião não é tão pouco quanto isso para uma área metropolitana de cerca de meio milhão de pessoas.

Espinho: Até uma cidade pequena como Espinho consegue todas as semanas ter pelo menos uma activdade cultural no auditório da academia. Hoje por exemplo haverá o Festival Tonalidades 2009. Estou a falar apenas de iniciativas que estão disponíveis para serem vistas na internet porque tenho a certeza que há iniciativas que não estão disponíveis online mas que as pessoas que vivem nas cidades podem ter conhecimento delas.

Chegamos ao ponto em que só vamos a uma actividade se formos chamados para ela. Não procuramos saber o que se passa, existem todos os dias a todas as horas inúmeras activdades culturais é so termos um tempo disponível e a vontade.

Não meus caros...a cultura não morreu. Nós é que parece que estamos a morrer para a cultura!


Street art show. Nova Iorque.

domingo, 17 de maio de 2009

Economia portuguesa regista maior queda dos últimos 30 anos

15.05.2009 - 10h04


Por Vítor Costa

Daniel Rocha (arquivo)


As exportações sofreram uma forte redução. A economia portuguesa recuou 3,7 por cento no primeiro trimestre de 2009 face a igual período do ano passado, naquele que é o pior resultado desde pelo menos 1977, segundo dados divulgados hoje pelo Eurostat e pelo Instituto Nacional de Estatística (INE).Ainda assim, os dados divulgados mostram que face ao quarto trimestre do ano passado, a economia recuou 1,5 por cento, valor que representa uma desaceleração no ritmo de contração da economia nacional, já que no quarto trimestre do ano passado, a economia nacional havia recuado 1,9 por cento face ao terceiro trimestre de 2008. Os dados divulgados pelo INE e pelo Eurostat seguem a tendência geral das restantes economias europeias, com todas a registarem fortes recuos no primeiro trimestre de 2009, deixando, assim, em dúvida se, de facto, o pior da actual crise económica internacional já terá passado. Para Portugal, o INE justifica a forte contracção registada no primeiro trimestre do ano com a redução "acentuada das exportações de eens e serviços, do investimento e, em menor grau, das despesas de consumo final das famílias". Ainda hoje, o ministro das Finanças, Fernando Teixeira dos Santos, deverá apresentar as novas previsões do Governo para a evolução da economia nacional. A última previsão do Governo apontava para uma contração da economia em 2009 de 0,8 por cento, valor bem distante das projecções do Banco de Portugal (-3,5 por cento), da Comissão Europeia (-3,7 por cento) ou do Fundo Monetário Internacional (-4,1 por cento).Analisando a série de evolução homóloga trimestral da economia nacional verifica-se que apenas em 1978, 1979, 1985 e 1986 é que em Portugal se registaram quedas com um nível tão acentuado da economia. Ainda assim, em nehum desses anos houve um trimestre tão negativo como o actual. Em 1978, no quarto trimestre, naquele que era até agora o pior registo da economia nacional, o Produto Interno Bruto (PIB) tinha recuado 3,5 por cento.Europa acelera degradaçãoApesar da forte retracção da economia nacional, este não é caso único na Europa, antes pelo contrário. Os dados divulgados pelo Eurostat mostram que no conjunto da Zona Euro, o recuo do PIB no primeiro trimestre do ano foi de 4,6 por cento face ao mesmo trimestre de 2008 e de 2,5 por cento face ao último trimestre do ano passado. Em ambos os casos, estes valores mostram que no primeiro trimestre deste ano, a economia acelerou o ritmo de degradação que já se vinha a fazer sentir. De facto, no último trimestre do ano passado, a economia da Zona Euro apenas tinha recuado 1,4 por cento em termos homólogos e 1,6 por cento face ao trimestre anterior.A mesma tendência é seguida quando se olha para os números do conjunto da União Europeia (UE). No primeiro trimestre de 2009 a UE recuou 4,4 por cento face a igual período do ano passado e 2,5 por cento face ao último trimestre de 2008. Ora, no último trimestre do ano passado e em termos homólogos, o recuo tinha sido de apenas 1,4 por cento. Já em cadeia, ou seja, face ao terceiro trimestre de 2008, o recuo foi de 1,5 por cento.Os dados divulgados pelo Eurostat permitem ainda verificar que Portugal tem pelo menos mais nove países da UE com pior desempenho. A lista é liderada pela Letónia cuja economia recuou no primeiro trimestre deste ano 18,6 por cento face a igual período do ano passado. De seguida aparece a Estónia com um recuo de 15,6 por cento e a Letónia com uma quebra de 10,9 por cento. Dentro da zona euro o "ranking" é comandado pela Itália, com uma quebra homóloga do PIB de 5,9 por cento.Os dados do Eurostat não apresentam ainda os resultados da Irlanda ou da Grécia, entre outros Estados europeus.


in Público

terça-feira, 12 de maio de 2009

O presente texto condensa e concretiza as propostas do Manifesto da Revista “Nova Águia” (novaaguia.blogspot.com) , órgão do M. I. L. Aqui se apresenta um ponto de partida, objecto de consenso entre os promotores do Movimento, destinado a ser aperfeiçoado mediante todas as críticas e sugestões, que solicitamos e agradecemos.
Ao apresentá-lo, fazemos nossas as palavras de Agostinho da Silva, cidadão luso-brasileiro cujo pensamento inspira o M. I. L., na proposta de reorganização de Portugal e do mundo lusófono que redigiu em 1974: “A comunidade a que o propomos é o Povo não realizado que actualmente habita Portugal, a Guiné, Cabo Verde, São Tomé e Príncipe, o Brasil, Angola, Moçambique, Macau, Timor, e vive, como emigrante ou exilado, da Rússia ao Chile, do Canadá à Austrália” – “Proposição”, in Dispersos, Lisboa, ICALP, 1989, p. 617.
1 – O Movimento Internacional Lusófono é um movimento cultural e cívico que visa mobilizar a sociedade civil para repensar e debater amplamente o sentido e o destino de Portugal e da Comunidade Lusófona.
2 – As nações e os 240 milhões de falantes da Língua Portuguesa em todo o mundo constituem uma comunidade histórico-cultural com uma identidade, vocação e potencialidade singular, a de estabelecer pontes, mediações e diálogos entre os diferentes povos, culturas, civilizações e religiões, promovendo uma cultura da paz, da compreensão, da fraternidade e do universalismo à escala planetária.
3 – Os valores essenciais da cultura lusófona constituem, junto com os valores essenciais de outras culturas, uma alternativa viável à crise do actual ciclo de civilização economicista e tecnocrático, contribuindo, com o seu humanismo universalista e sentido cósmico da vida, para uma urgente mutação da consciência e do comportamento, que torne possível uma outra globalização, a do desenvolvimento das superiores possibilidades humanas e da harmonia ecológica, possibilitando a utilização positiva dos actuais recursos materiais e científico-tecnológicos.
4 – As pátrias e os cidadãos lusófonos devem cultivar esta consciência da sua vocação, aproximar-se e assumir-se como uma comunidade fraterna, uma frátria, aberta a todo o mundo. A comunidade lusófona deve assumir-se como uma comunidade alternativa mundial – uma pátria-mátria-frátria do espírito, a “ideia a difundir pelo mundo” de que falou Agostinho da Silva – que veicule ideias, valores e práticas tão universais e benéficas que todos os cidadãos do mundo nelas se possam reconhecer, independentemente das suas nacionalidades, línguas, culturas, religiões e ideologias. A comunidade lusófona deve assumir-se sempre na primeira linha da expansão da consciência, da luta por uma sociedade mais justa, da defesa dos valores humanos fundamentais e das causas humanitárias, da sensibilização da comunidade internacional para todas as formas de violação dos direitos humanos e dos seres vivos e do apoio concreto a todas as populações em dificuldades. Para que isso seja possível, cada nação lusófona deve começar por ser exemplo desses valores.
5 – A vocação histórico-cultural da comunidade lusófona terá expressão natural na União Lusófona, a qual, pelo aprofundamento das potencialidades da actual Comunidade dos Países de Língua Portuguesa, constituirá uma força alternativa mundial, a nível cultural, social, político e económico. Sem afectar a soberania dos estados e regiões nela incluídos, mas antes reforçando-a, a União Lusófona será um espaço privilegiado de interacção e solidariedade entre eles que potenciará também a afirmação de cada um nas respectivas áreas de influência e no mundo. Ou seja, no contexto da União Lusófona, a Galiza e Portugal aumentarão a sua influência ibérica e europeia, Cabo Verde, São Tomé e Príncipe, Guiné, Angola e Moçambique, a sua influência africana, o Brasil a sua influência no continente americano e Timor a sua influência asiática, sendo ao mesmo tempo acrescida a presença de cada um nas áreas de influência dos demais e no mundo. Sem esquecer Goa, Damão, Diu, Macau, todos os lugares onde se fale Português e onde a nossa diáspora esteja presente, os quais, embora integrados noutros estados, serão núcleos de irradiação cultural da União Lusófona.
6 – No que respeita a Portugal e à Galiza, este projecto será assumido em simultâneo com o estreitamento de relações culturais com as comunidades autónomas de Espanha, promovendo aí a cultura galaico-portuguesa e contrabalançar a influência espanhola em Portugal. O mesmo deve acontecer entre o Brasil e os países da América do Sul. Galiza, Portugal e Brasil, bem como as demais nações de língua portuguesa, devem afirmar sem complexos os valores lusófonos nas suas respectivas áreas de influência.
7 – A construção da União Lusófona, com os seus valores próprios, exige sociedades mais conscientes, livres e justas nos estados e regiões lusófonos. Em cada um desses estados e regiões, cabe às secções locais do Movimento Internacional Lusófono, dentro destes princípios essenciais e em coordenação com as dos restantes estados e regiões, apresentar e divulgar propostas concretas, adequadas a cada situação particular, pelos meios de intervenção cultural, social, cívica e política que forem mais oportunos.
***
No que respeita a Portugal, a secção portuguesa do Movimento Internacional Lusófono considera fundamentais as seguintes medidas:
I – Promover uma maior participação dos cidadãos na vida pública e política, nomeadamente em torno de um grande projecto para Portugal como o da União Lusófona, que os convoque para uma causa que transcende o imediatismo, o economicismo e os interesses dos partidos e dos grupos em luta pelo poder. Mobilizar os cidadãos indiferentes e descrentes da vida política, a enorme percentagem de abstencionistas e todos aqueles que se limitam a votar, para a responsabilidade de discutirem e criarem o melhor destino a dar à nação.
II – Sensibilizar os cidadãos e as instituições públicas e privadas para a importância e vantagens do projecto da União Lusófona, a nível cultural, social, político e económico. Promover a discussão pública desta proposta e uma cultura da consciência lusófona e universalista que enriqueça a nossa própria integração na União Europeia, tornando-nos parceiros activos na abertura da consciência europeia à cultura planetária.
III – Promover para esse fim formas alternativas de intervenção cultural, social e cívica, que permitam antecipar quanto possível a realidade desejada, sem depender dos poderes instituídos, dentro dos quadros democráticos e legais. Sem rejeitar os habituais meios de intervenção política, o Movimento Internacional Lusófono apela à e apoia a constituição de grupos cívicos ou confrarias laicas que sejam núcleos de discussão, divulgação e realização deste projecto, em Portugal e em todo o espaço lusófono, incluindo a emigração.
IV – Libertar a nossa vida mental, social e política da actual mediocridade, estagnação e submissão a interesses particularistas, partidários e dos grupos económicos, repondo-a ao serviço da cultura e de uma ética do bem comum.
V – Regenerar a democracia em Portugal, reformando o estado segundo modelos que fomentem a ampla participação política da sociedade civil. Recuperar a tradição municipalista portuguesa, promover uma regionalização e descentralização administrativa equilibradas, assegurando mecanismos de prevenção e controlo dos caciquismos locais.
VI – Assegurar o predomínio da ética e da política sobre a economia, de modo a que a produção e distribuição da riqueza vise o bem comum e a satisfação das necessidades básicas das populações. Explorar as potencialidades de formas de organização económica cujo objectivo fundamental não seja o lucro financeiro. Oferecer alternativas ao produtivismo e consumismo, fazendo do trabalho não um fim em si, mas um meio para a fruição do tempo livre de modo mais gratificante e criativo.
VII – Promover a sustentabilidade económica do país, desenvolvendo as economias locais e respeitando a harmonia ambiental.
VIII – Substituir quanto possível as energias não-renováveis (petróleo, carvão, gás natural, energia nuclear), por energias renováveis e alternativas (solar, eólica, hidráulica, marmotriz, etc.), superando o paradigma de uma economia baseada no petróleo e nos hidro-carbonetos.
IX – Dar prioridade, em todos os domínios da economia, da política e da investigação, às preocupações ambientais e ecológicas. Proteger os direitos dos animais e promover o seu cumprimento.
X – Assegurar um serviço público de saúde eficiente e acessível a todos, que inclua a possibilidade de opção por medicinas alternativas.
XI – Redignificar, com exigência, os professores e todos os profissionais ligados à educação, tornando esta e a cultura – não só tecnológica, mas filosófica, literária, artística e científica – o investimento estratégico do Orçamento de Estado e da governação. Os vários níveis de ensino visarão a formação integral da pessoa, não a sacrificando a uma mera especialização profissional. Neles haverá uma forte presença da cultura portuguesa e lusófona, bem como das várias culturas planetárias. Um português culto e bem formado deve ter uma consciência lusófona e universal, não apenas europeia-ocidental.
XII – Promover sem inibições a cultura portuguesa e lusófona no espaço internacional. Assegurar a tradução para inglês de textos fundamentais da nossa cultura e publicar, em conjunto com as nações lusófonas, uma revista bilingue, português-inglês, destinada a divulgar em todo o mundo os seus aspectos mais singulares e universais. Estreitar relações com os lusófilos estrangeiros e com todos os povos, culturas e movimentos que tenham características e projectos convergentes.
XIII – Implementar o Acordo Ortográfico, importante instrumento da consciência lusófona e da sua afirmação internacional.
XIV – Celebrar acordos com as nações lusófonas que promovam estratégias económicas conjuntas, sobretudo a nível comercial. Facilitar e proteger, mediante o levantamento das barreiras alfandegárias e fiscais, o comércio e a circulação de produtos em todo o mundo lusófono, com urgente destaque para os produtos culturais.
XV – Chegar gradualmente a um acordo que permita a livre-circulação dos cidadãos em todos os estados da comunidade lusófona.
XVI – Criar um Programa “Agostinho da Silva” que promova a circulação dos estudantes das nações lusófonas, de licenciatura e pós-graduação, nas universidades do espaço lusófono, começando por Portugal e Brasil.
Se quiser aderir a este Movimento ou formar um “Núcleo MIL”, envie-nos um mail para novaaguia@gmail.com . Visite também o nosso blogue: novaaguia.blogspot.com

Prós e Contras improdutivo

Ontem realizou-se o primeiro debate televisivo com todos os cabeças de lista às Europeias.
Na minha opinião foi inconclusivo e pouco produtivo.
Passo a explicar o meu ponto de vista.

Um debate televisivo com 13 participantes e com a duração de aproximadamente 2 horas (já excluindo os intervalos) é incongruente. Como se esperava, não há tempo para ninguém expor as suas ideias e projectos. Fazendo uma conta simples, concluiu-se que há 9 minutos apenas para cada pessoa falar. Como é que se pode debater alguma coisa?

Passando ao "sumo" do debate, houve algumas observações que anotei, pelo menos até onde vi.
  • Em primeiro lugar, não compreendo de onde surgiu a ideia lançada, salvo erro por 2 partidos, chamados pequenos, de reapostar na agricultura e na indústria. Isso é regressar ao passado! Essa aposta, tão vincada durante o Estado Novo, era na época pré terciarização e pré globalização. E essas são duas realidades incontornáveis. Todos pressupostos (sociais, económicos, culturais, mundiais, etc.) são diferentes.
  • Uma das boas ideias lançadas, foi a aposta nas energias renováveis como factor de diferenciação de Portugal.
  • A questão fiscal também foi levantada, não sendo consensual entre os partidos.
  • Discutiu-se ainda se Portugal deveria ou não sair da União Europeia e é a velha história. A integração é muito boa quando entram fundos, mas muito má quando vem exigir o reverso da medalha. É consensual entre os candidatos que a saída não seria boa para o país.
Olhando o debate por outra perspectiva, no confronto de personalidades houve três aspectos chamaram-me a atenção:
  • Nuno Melo. Perdeu uma boa % do seu reduzido tempo de fala a queixar-se da rouquidão e a pedir a palavra e acabou por não dizer quase nada que interessasse. Preocupou-se com o acessório e esqueceu-se do essencial (que era expor as suas ideias).
  • Ilda Figueiredo. De longe a que melhor está dentro dos assuntos europeus e que mais demonstrou saber do que fala e o que defende.
  • Paulo Rangel. Praticamente não me lembro de nada do que disse.
  • Elisa Ferreira. A candidata da polémica e que reflecte o aproveitamento que alguns deputados fazem do Parlamento Europeu: "só dar o nome".

terça-feira, 5 de maio de 2009

Confusão Europeia

A um mês das eleições europeias, ninguém ainda sabe o que é que se vai votar !!!

São os próprios políticos a baralhar política europeia com a interna. Misturam o que não deveria ser misturado e mais uma vez interrogo-me para que serão estas eleições? Um convite à abstenção ou uma sondagem (ou antevisão) às legislativas? Provavelmente as duas coisas ...

Estou cada vez mais convencido que este eleição de "protocolo" é inútil e um desperdício de recursos, pois quando chega a hora das decisões, o peso do Parlamento é muito reduzido, para não dizer praticamente nenhum.

Pergunto novamente: qual o objectivo das eleições europeias?

quinta-feira, 30 de abril de 2009

O porquê do meu NÃO a Sócrates...

As eleições estão em breve a chegar. As casas dos portugueses vão ser invadidas com o lixo dos mais diversos partidos, vão novamente surgir os escândalos de endividamento e financiamento ilícito de campanhas. Todos sabemos como as coisas correm. Vamos também ouvir José Sócrates do alto da sua "sabedoria" falar aos portugueses de tudo o que foi feito em prol de um Portugal melhor no seu mandato. Sócrates terá que puxar muito pela imaginação porque na realidade pouco ou nada foi feito. Não somos hoje um país melhor aquando da data da entrada do governo PS em funções. Escândalos de corrupção fortes de mais para serem ignorados atingiram bem forte o centro do governo já para não falar nos milhares de empregos que pura e simplesmente foram transformados em milhares de desempregos. A equipa de Sócrates está francamente à quem daquilo que seria esperado: os ministérios da educação, economia e obras públicas necessitam de um abanão e de uma troca de orientação. Não estejamos com meios rodeios: Os ministros destes ministérios são muito fracos e sem qualquer noção estratégica para o futuro europeu.

Para o mês de Junho temos as eleições europeias que servirão para dar um cartão amarelo ao governo Sócrates. É pena que assim seja dado que o candidato "rosa" prefigura-se como aquele que na minha opinião é o mais capaz. Continuamos a misturar Europa com política interna...triste sina esta do povo lusitano.

O triste estado a que o país chegou não tem um responsável mas vários, uma classe política que não soube conduzir devidamente os destinos deste país assim como uma classe directiva e gestora que não soube evoluir correctamente nem potencializar todos os recursos que temos disponíveis para transformar de uma maneira realmente efectiva Portugal num país que não vivesse andando a reboque da Europa comprando sempre o bilhete à última da hora para não saltar fora da última carruagem!

segunda-feira, 27 de abril de 2009

Reembolso de Impostos

De acordo com a nova lei da Finanças Locais, as Autarquias têm o poder de abdicar do IRS dos munícipes, que era transferido pelo Estado Central, sendo este redistribuído directamente aos contribuintes, via reembolso/pagamento de impostos. No primeiro caso, o reembolso seria maior, no segundo o pagamento inferior.
A lei entrou em vigor este ano, e os resultados revelam uma tendência que merece ser comentada.

Câmaras com maiores DEVOLUÇÕES (14.28%)
  1. Castro Marim
  2. Manteigas
  3. Alcoutim
  4. Belmonte
  5. Crato
Câmaras que NÃO abdicaram e que maior POUPANÇA PERMITIRIAM aos munícipes (85.72%)
  1. Lisboa
  2. Oeiras
  3. Cascais
  4. Porto
  5. Coimbra
Esta amostra serve para o que eu quero realçar.
São os municípios de interior deserto, envelhecido e mais pobre que mais ajudam os seus contribuintes, dispensando, dessa forma, uma receita significativa nos seus depauperados cofres. Esta realidade é explicada pelas tentativas de fixar população nestes concelhos.
Em contrapartida, as câmaras de região da Grande Lisboa e capitais de distrito são as mais egoístas, desenvolvidas e folgadas, não dispensando esse dinheiro, sabe-se lá para aplicar em quê?
Outra consideração que estes cálculos merecem é que aparentemente estão alheios a intenções eleitoralistas. Porém, note-se que a maior parte dos eleitores não sabe da existência desta lei ...

NOTA: Cálculos de Jornal de Negócios
http://www.jornaldenegocios.pt/index.php?template=SHOWNEWS&id=365116

sábado, 25 de abril de 2009


Foi assim há 35 anos e hoje estamos aqui e amanhã onde estaremos? A complexa pergunta mantêm-se numa ilusão de mudança. Mudança que deveria ter vindo com a revolução e que se perdeu no meio da alegria de um povo liberto.

Peço que imaginem: Em 25 de abril de 1974 o que se ouvia nas ruas era liberdade, queda do poder, ou seja, mudança. Mas terá havido real mudança? Se, em si, continuamos a ser o mesmo povo, sem alterações de mentalidades, iludido com promesas de politicos tal como Salazar fez nas promessas de liberdade, um povo fortemente controlado pela religião e que se castiga a si próprio por causa do seu fado.

Afinal o que poderiamos esperar de nós proprios, que após uma revolução nos tornassemos heróis imortais como um dia Camões cantou uma nação onde um povo pequenino dentro de um pequeno país se tornou tão grande e forte.

Hoje é 25 de abril e reparo que já faleceu tantos heróis, tantos que repararam no que de facto se passou antes e pós abril. Zeca Afonso, cantor e compositor, faz falta. Faz falta alguém que através de algo critique e modifique os percepções e contagie a mudança. Cantou desesperos nos seus versos, realidade que conhecia bem de um mundo que não conheci e que espero nunca conhecer.
Chico Buarque ofereceu uma bela música: Tanto Mar, que tem duas versões. Ambas belas mas com algumas alterações. Também Zeca Afonso modificou a maneira de cantar mas critica em "Indios da Meia-Praia" a maneira de vida do povo e do governo daquele tempo.

Comemoramos algo que para alguns de nós, especialmente os mais novos não passa de um feriado. Os mais velhos relembram mas não falam. E nós vivemos a vida, livres e com liberdade de expressão e que não damos valor. Eu imagino porque não vivi, mas outros relebram de tempos longiquos que tanto parecem tão reais agora. E se Abril abriu as portas ao futuro, quem sabe este Abril não abre as mentalidades do meu povo. Quisá...

Mas como é capaz uma revolução de direita ter se tornado tão rapidamente numa revolução de esquerda. Esse foi o auge da revolução e talvez a abertura para hoje sermos livres. As influências de partidos, de personalidades pesadas que movimentaram o pouco que restava de um país para um futuro imprevisivel.
Relembrando as palavras de Vasco Laurenço na sua auto-biografia: Não planeamos o dia seguinte.

Ontem foi 25 de abril, olhei para a rua e não vi celebrações; liguei a tv e vi um ou dois programas sobre a revolução e pouco mais. Talvez, não sei, quisá, a revolução voltará, mas não pelas mãos de militares mas pelas mãos da cultura, uma revolução cultural, enaltada nas palavras de Fernando Pessoa, a formação do Quinto Império.






sexta-feira, 24 de abril de 2009

Eleições Europeias

Li no site do "Destak" uma crónica que vai precisamente de encontro às minhas reflexões sobre as eleições europeias da autoria João César das Neves.

Passo a citar,

"As europeias são só aberrantes. Ninguém sabe para que serve o Parlamento Europeu. Os eleitores sentem a eleição sem impacto e abstêm-se ou escolhem de forma ligeira. O voto acaba inspirado por factos laterais, da crítica ao governo a campanhas particulares. (...) A culpa não é do eleitorado. É do sistema. (...) Este Parlamento Europeu, eleito desta forma irresponsável (...) A Europa é um grande projecto, mas o que mais a prejudica é o zelo e exagero dos seus partidários."

Esta opinião e o debate televisivo Prós e Contras vieram reforçar aquilo que deverão ser as eleições europeias: uma perda de tempo e de paciência a ouvir políticos a misturar política interna com a europeia ...

Vamos votar O QUÊ, EM QUEM, para AVALIAR que competências ... no fundo PARA QUÊ?

Talvez seja pela distância geográfica do centro europeu ou por falta de informação, mas quantas vezes é que ouvimos notícias relacionadas com o Parlamento Europeu no último mês? Ano? Desde as últimas eleições europeias?
A resposta é muito poucas.

Recordo-me de apenas dois casos. O dos voos da CIA, trazido a público pela eurodeputada do Partido Socialista Ana Gomes e as habituais reivindicações sociais da comunista Ilda Figueiredo ... nada mais ...

O que se sabe sim é que um formalismo imposto pela UE que apenas fazem parte do calendário eleitoral.

Espero, muito sinceramente mudar o discurso, nos próximos 44 dias.

Link: http://www.destak.pt/artigos.php?art=27460

segunda-feira, 20 de abril de 2009

Artigo sob as asas de um tempo sem asas

O nosso tempo é vivido a uma velocidade incontrolável e maníaca. Até quando conseguiremos aguentar este ritmo que a sociedade nos impõe de forma feroz? Poucos são os momentos em que podemos ficar descansados a pensar nas coisas do mundo, existe uma vontade inerte de mecanização de tudo. A chamada “máquina mundo” está a exigir do Homem mais do que aquilo que ele pode dar, o que em última análise poderá conduzir a uma mutação drástica do ser humano.

Tendemos, pouco a pouco, a desagregarmo-nos naquilo que nos une. O que realmente une o ser humano é a vontade de criar, a vontade de fruir, aquilo a que vulgarmente chamamos “vida” e, é essa vida, que a cada dia que passa está-nos a ser retirada das mais diversas formas: palavras tão simples como rir, brincar, fruir estºao progressivamente a desaparecer do nosso quotidiano. Assim sendo o Homem tem a obrigação de tentar a salvação deste modelo para que caminhamos, é importante que se apontem novos caminhos, que a palavras de ordem não sejam mais “produzir” e “ganhar dinheiro” mas sim “pensar” e “cumprir-se”. O Homem, hoje mais que nunca, tem necessidade de se mobilizar e confrontar a “máquina mundo” de uma forma verdadeiramente aguerrida, uma guerra com as armas vontade e união. Vivemos num tempo decadente, as vidas arrastam-se quase à espera do dia do último suspiro perdido num tempo indeterminado (para muitos o começo da salvação). Mas será justo que o ser humano viva condicionado para atingir uma salvação que nem sabemos muito bem se existe? Ao invés será também justo que vivamos num mundo constante perda do sentido da palavra humanidade? Que somos afinal? São certamente questões de complexa resposta, no entanto é chegada a hora de encontrar a réplica que poderá ser dolorosa mas que terá de ser equacionada e colocada sob a mesa.

Incutiram-nos a ideia que para sermos alguém na vida tínhamos que ter um trabalho no qual o salário fosse o mais chorudo possível. Pouco interessa se fazemos aquilo que não gostamos, pouco interessa se passamos por cima de pessoas para atingir as nossas pretensões. No fundo o que realmente é importante é o prestígio que teremos sobre a sociedade e o que podemos ter com o dinheiro que ganhamos. Na sociedade contemporânea um bom emprego não é aquele onde nos sintamos realizados mas sim aquele em que ganhemos uns bons milhares de euros. Da mesma forma um Homem de sucesso não é aquele que procura a realização pessoal, procurando por todo o lado meios para realizar os seus sonhos mas sim aquele que chegou a director da multinacional “A” sem nunca se sentir vocacionado para tal tarefa, ou então aquele que recebeu uma herança milionária e a gastou em futilidades. Estamos perante valores sociais exclusivamente materiais e absolutamente caducos e moribundos. Perante isto a salvação está comprometida por uma falta de justiça no que toca essencialmente aos valores de cada um.

Tentamos com isto transmitir que a sociedade de hoje vive em prol do capital. Quem tem muito capital é bem visto, quem não tem capital é colocado de parte. Poucas coisas hoje em dia não se compram, essa é a realidade. Esta é definitivamente a era do auge do poder económico, poder esse que ao longo da história sempre existiu mas equilibrado com ideias como a honra, a coragem e a força. Verificamos que a honra dos Homens de hoje desapareceu, assim como a coragem (poucos são os que largam tudo para trás em nome de um sonho) assim como a força (não física mas sim de espírito e personalidade). Tudo isto chegou a um estremo tal que, se Maquiavel fosse nosso contemporâneo certamente seria economista e faria um manual de “guerras económicas” porque, na realidade, são as únicas que existem na actualidade.

Há um tremendo abuso de um poder sem rosto, um poder que nos oprime de uma forma invisível, estamos a referirmo-nos ao poder económico. São tremendos os abusos que são feitos em todo o mudo. Julgamos que estamos mal? Certamente que muitos povos do hemisfério sul gostariam de viver “o nosso mal”. As injustiças são incomportáveis, chegamos a um momento de desumanidade brutal. Que justiça é esta? Que salvação para o mundo? Vivemos descansados, sem mover um dedo para, pelo menos, tentar remediar a situação, de uma forma cobarde delegamos a nossa irresponsabilidade nas Organizações Não Governamentais.

É necessária uma efectiva mobilização, o Homem tem que reclamar a sua essência, que aos poucos se perde numa globalização estranha que invade povos e impõe uma ditadura não só cultural mas também política e económica. A cultura ocidental, o capitalismo e a democracia são as ditaduras de hoje, quem não a segue é reprimido.

A passividade do ser humano a que hoje assistimos poderá, numa visão mais radical, conduzir a um 1984 à maneira de George Orwell.

segunda-feira, 13 de abril de 2009

Meus caros amigos e concidadãos escrevo esta breve carta para vos dar conta da minha sensibilidade para com o momento altamente dramático que vivem. Devo dizer antes de mais que estou extremamente sensibilizado com os graves problemas que todos sofrem dia-a-dia.

Tenho 20 anos e compreendo que realmente a sina deste país é algo triste. Duas dezenas de anos desde que fui lançado para fora do ventre de minha mãe ouço dizer que o país está em crise. Estranho este pensamento mórbido que assola as mentes humanas destes portuguesinhos enquadrados em mundos obscuros de pessimismo como lei. Dizem eles que querem salvar-se da crise mas…a crise deixou de ser excepção e passou a ser condição. Este saudosismo absolutamente horripilante de nossos avós que gritam a revolta do “antigamente é que era bom” e de alguns retornados que exploravam em África os povos ditos “irmãos” para agora dizerem: “Em África é que era bom”. E eu digo que, lá no fundo, aqui é que é bom porque apesar de tudo, nunca vivemos tão bem como agora apesar de todas as típicas “manias” deste povinho absolutamente magnífico que transborda a sua falta de sabedoria sob este rectângulo que os norte-americanos (outro povo inteligente por sinal) dizem pertencer a Espanha.

Há por este país solarengo, com belas paisagens e com muito mar a arte do “deixa andar”. Uma arte milenar, começada a edificar nos tempos remotos da nossa civilização. Existe de certa forma uma falta de identidade e uma triste divisão entre norte e sul e entre litoral e interior que nada é salutar para um desenvolvimento efectivo do território. Que salvação queremos então para Portugal? Um país preso por fortes ideais religiosos, ideais esses atrofiantes para o desenvolvimento efectivo de um território dito laico no qual a laicização é relativa. Um rectângulo no qual a Igreja ainda tem peso e move alguns fiéis com palas nos olhos que vêem a verdade apenas e só na boca dos clérigos que seguem o tradicionalismo típico daqueles governos anteriores a 1974 e posteriores a 1926. A Igreja que proclama a salvação dos Homens e afunda os mesmos num atrofiante ciclo vicioso que é o grande responsável pela falta de desenvolvimento do país. Já Antero veiculava esta mesma ideia na sua célebre conferência no Casino Lisbonense sobre “As Causas da Decadência dos Povos Peninsulares”. Volvido mais de um século verificamos que os mesmos problemas apresentados por Antero se mantêm. Até quando? Pergunto-me?

O nosso povo gosta também de uns fadinhos e, a ouvir esses mesmos fadinhos, espera que o seu fado se cumpra sem ser necessário mover um dedo para que o futuro se concretize. Há uma falta de espírito de iniciativa estampada na cara de grande parte dos cidadãos deste nobre país, aquela mentalidade do “deixa andar” tão genuinamente portuguesa é um cliché da moral lusa. Assim sendo teremos nós moral enquanto povo para nos auto-denominarmos vítimas de uma crise? E olhar para essa mesma crise passivamente? Deixando tocar o nosso fadinho e vendo sagrado futebol de Sábado à noite, sem esquecer Fátima para completar a trilogia magnífica que ao longo do Estado Novo caracterizou este nobrezinho povinho. Mas…será só durante o Estado Novo que essa mesma trilogia foi efectiva? O passado desse tempo continua bem presente. A política dos 3 “f” continua a ser o circo deste povo, no entanto o pão começa a faltar mas parece que apesar disso o povo está satisfeitamente insatisfeito. Há uma relutância em fazer tão grande e uma passividade tão menos grande por parte deste povo que transformamos o nosso descontentamento apenas e só em greves perdidas por aqui e por acolá (à 6ª feira é claro para que o fim-de-semana seja prolongado).

Apesar de tudo há alguns que fazem, ou tentam fazer, mas para esses a “justiça” da crítica cai logo em cima. Sim, porque neste país quem trabalha sem receber dinheiro é “estúpido” ou quem tem iniciativas é considerado anormal e colocado imediatamente de parte do círculo da U.S.P.P. (União Social dos Passivos Portugueses). Esta “organização” que muitos pensam ser fictícia existe mesmo, bem no fundo das mentes desta população altamente qualificada para esvaziar as prateleiras das livrarias quando saem para a rua romances do José Rodrigues dos Santos ou para esgotar as bilheteiras do filme “Amália”. Há uma sem vontade absolutamente incompreensível que acaba por contaminar quem quer fazer algo por este pobre rectangulozinho. Muitos destes, que estão a ser contaminados pelo vírus da passividade (mandado disseminar pela USPP), fogem do país para não caírem na desgraça de uma caixa de supermercado qualquer ou então na desgraça de uma estúpida proliferação de sentimento antagónicos aos que lhes ensinaram nas ilhas que estão imunes deste tipo de vírus, (falamos evidentemente de algumas universidades).

Portugal é também um país de gente esperta, muito esperta por sinal, pena é que a sua esperteza seja conduzida para a injustiça que, em última análise, é também um factor determinante para fazer do nosso país um local com muito pouca justiça. Corrupção descaradamente apregoada por entre dentes corruptos de corpos corruptos. Uma elite política que procura encher a barriga em primeiro lugar, sugando este povo ignorante que se arrasta pelas calçadas, muitos deles sem dinheiro para calçado, e que são iludidos em falsos votos de esperança e numa grande falta concretização de promessas que ficam presas aos programas eleitorais que por aqui e por acolá são distribuídos. Temos uma população sem qualquer preparação, desprovida de quase tudo, não existe uma real evolução neste país que por vezes parece tropical visto que é definido inúmeras vezes como a República das Bananas. Justiça? Onde existe justiça neste cenário? Como salvar este “portugalinho” que em tempos disseram que estaria de tanga?

É triste meus amigos, muito triste falar-vos desta forma. Mas…as coisas não poderiam ser ditas de outra forma. Tenho muita pena mas esta é a minha visão, se não concordarem com a mesma estão à vontade para enviar uma resposta na qual usem da vossa oratória de demagogia para apresentar um ponto de vista talvez mais positivo.

Já ouviram falar em Educação? Certamente que todos vós já ouviram os sucessivos governos que por aqui passam dizer que “os problemas do país podem ser resolvidos com uma boa aposta na educação”. Onde está essa aposta? Sinceramente ainda não vi nada. Estranho não? Temos um sistema educativo caduco e pelas ruas da amargura, um ensino sem qualquer orientação no campo da formação pessoal dos cidadãos, preocupado apenas em injectar conhecimentos na cabeça dos estudantes, conhecimentos esses que, regra geral, não terão qualquer tipo de funcionalidade nos discentes. Por outro lado, a pedagogia de ensino orientada para a formação pessoal fica colocada de parte. Qual a razão? Será que vivemos num tempo em que temos que ser mais máquinas que Homens? Será exactamente por essa razão que as ciências sociais e humanas têm sido colocadas de parte para que as ciências exactas tenham, no nosso tempo, o primeiro lugar no que toca à importância do saber? Não seremos nós (Homens das ciências sociais e humanas) tão importantes quanto os outros? Se realmente somos qual será então o motivo para a sociedade nos colocar de lado. Injustiça? E a salvação onde cabe aqui? Na realidade, os Homens das ciências sociais são muito perigosos para os governos da nossa era por uma simples razão: Quem está ligado às ciências sociais e humanas executa, mas antes pensa. Nas ciências sociais não existem máquinas, existe antes um questionamento permanente de tudo. Homens desse tipo não interessam aos senhores de poder a nível nacional e mundial, o que realmente lhes interessa o tipo Homem-máquina, aquele que faz sem questionar.

Talvez sejamos assim, tão passivos, porque ao longo da história sempre tivemos tudo de mão beijada, não precisamos de mexer um dedo que fosse para que tudo nos caísse no colo sem qualquer necessidade de trabalho. No século XV foi o início de um período em que a riqueza abundava, o comércio com a África e com a Índia (mais tarde no século XVI) era uma realidade, o trabalho foi colocado de lado já que tudo nos vinha parar ao colo sem o mínimo esforço. Assim foi também mais tarde com a vinda das remessas de ouro do Brasil que nos permitiu construir monumentos gigantescos em território nacional. Até bem pouco tempo vivemos dos fundos da UE, muitos daqueles que beneficiaram desses mesmos fundos não os investiram nas suas actividades, optaram sim por gastar o dinheiro em bens pessoais. Tudo de mão beijada. Milhares e milhares de riquezas deitadas pela janela fora. Nós, portugueses somos mesmo assim. Temos as condições para evoluirmos: os meios, as pessoas, o capital só não temos…é a vontade. Como irá este povo ter salvação desta forma? A estranheza deste povo é digna de estudo realmente, muito sinceramente não quero é conhecer os resultados desse mesmo estudo. Tenho medo de me assustar.

Chegado a este ponto, meus caros amigos portugueses: qual a solução para o nosso Portugal? A resposta é simples, mudança de mentalidade. Só com uma mudança profunda nas mentalidades é que atingimos algo. Os tempos e a falta de desenvolvimento comprovam que não evoluímos assim tanto quanto pretendíamos, talvez porque o processo de alteração de mentalidades é longo, podendo o mesmo demorar séculos, quem sabe milénios. Enquanto as mentalidades não mudam, continuamos por cá a penar e a queixarmo-nos de tudo (português que é português tem que publicitar bem a sua vitimização) e esperamos que, à semelhança do que outrora aconteceu, tudo nos caia do céu. Talvez muitos esperem ainda o regresso do D. Sebastião. Hoje esteve nevoeiro, quando tal chegou hoje e nem dei conta.

Acordem por favor, é o que vos peço…nada mais!


Janeiro de 2009