As eleições estão em breve a chegar. As casas dos portugueses vão ser invadidas com o lixo dos mais diversos partidos, vão novamente surgir os escândalos de endividamento e financiamento ilícito de campanhas. Todos sabemos como as coisas correm. Vamos também ouvir José Sócrates do alto da sua "sabedoria" falar aos portugueses de tudo o que foi feito em prol de um Portugal melhor no seu mandato. Sócrates terá que puxar muito pela imaginação porque na realidade pouco ou nada foi feito. Não somos hoje um país melhor aquando da data da entrada do governo PS em funções. Escândalos de corrupção fortes de mais para serem ignorados atingiram bem forte o centro do governo já para não falar nos milhares de empregos que pura e simplesmente foram transformados em milhares de desempregos. A equipa de Sócrates está francamente à quem daquilo que seria esperado: os ministérios da educação, economia e obras públicas necessitam de um abanão e de uma troca de orientação. Não estejamos com meios rodeios: Os ministros destes ministérios são muito fracos e sem qualquer noção estratégica para o futuro europeu.
Para o mês de Junho temos as eleições europeias que servirão para dar um cartão amarelo ao governo Sócrates. É pena que assim seja dado que o candidato "rosa" prefigura-se como aquele que na minha opinião é o mais capaz. Continuamos a misturar Europa com política interna...triste sina esta do povo lusitano.
O triste estado a que o país chegou não tem um responsável mas vários, uma classe política que não soube conduzir devidamente os destinos deste país assim como uma classe directiva e gestora que não soube evoluir correctamente nem potencializar todos os recursos que temos disponíveis para transformar de uma maneira realmente efectiva Portugal num país que não vivesse andando a reboque da Europa comprando sempre o bilhete à última da hora para não saltar fora da última carruagem!
quinta-feira, 30 de abril de 2009
O porquê do meu NÃO a Sócrates...
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segunda-feira, 20 de abril de 2009
Artigo sob as asas de um tempo sem asas
O nosso tempo é vivido a uma velocidade incontrolável e maníaca. Até quando conseguiremos aguentar este ritmo que a sociedade nos impõe de forma feroz? Poucos são os momentos em que podemos ficar descansados a pensar nas coisas do mundo, existe uma vontade inerte de mecanização de tudo. A chamada “máquina mundo” está a exigir do Homem mais do que aquilo que ele pode dar, o que em última análise poderá conduzir a uma mutação drástica do ser humano.
Tendemos, pouco a pouco, a desagregarmo-nos naquilo que nos une. O que realmente une o ser humano é a vontade de criar, a vontade de fruir, aquilo a que vulgarmente chamamos “vida” e, é essa vida, que a cada dia que passa está-nos a ser retirada das mais diversas formas: palavras tão simples como rir, brincar, fruir estºao progressivamente a desaparecer do nosso quotidiano. Assim sendo o Homem tem a obrigação de tentar a salvação deste modelo para que caminhamos, é importante que se apontem novos caminhos, que a palavras de ordem não sejam mais “produzir” e “ganhar dinheiro” mas sim “pensar” e “cumprir-se”. O Homem, hoje mais que nunca, tem necessidade de se mobilizar e confrontar a “máquina mundo” de uma forma verdadeiramente aguerrida, uma guerra com as armas vontade e união. Vivemos num tempo decadente, as vidas arrastam-se quase à espera do dia do último suspiro perdido num tempo indeterminado (para muitos o começo da salvação). Mas será justo que o ser humano viva condicionado para atingir uma salvação que nem sabemos muito bem se existe? Ao invés será também justo que vivamos num mundo constante perda do sentido da palavra humanidade? Que somos afinal? São certamente questões de complexa resposta, no entanto é chegada a hora de encontrar a réplica que poderá ser dolorosa mas que terá de ser equacionada e colocada sob a mesa.
Incutiram-nos a ideia que para sermos alguém na vida tínhamos que ter um trabalho no qual o salário fosse o mais chorudo possível. Pouco interessa se fazemos aquilo que não gostamos, pouco interessa se passamos por cima de pessoas para atingir as nossas pretensões. No fundo o que realmente é importante é o prestígio que teremos sobre a sociedade e o que podemos ter com o dinheiro que ganhamos. Na sociedade contemporânea um bom emprego não é aquele onde nos sintamos realizados mas sim aquele em que ganhemos uns bons milhares de euros. Da mesma forma um Homem de sucesso não é aquele que procura a realização pessoal, procurando por todo o lado meios para realizar os seus sonhos mas sim aquele que chegou a director da multinacional “A” sem nunca se sentir vocacionado para tal tarefa, ou então aquele que recebeu uma herança milionária e a gastou em futilidades. Estamos perante valores sociais exclusivamente materiais e absolutamente caducos e moribundos. Perante isto a salvação está comprometida por uma falta de justiça no que toca essencialmente aos valores de cada um.
Tentamos com isto transmitir que a sociedade de hoje vive em prol do capital. Quem tem muito capital é bem visto, quem não tem capital é colocado de parte. Poucas coisas hoje em dia não se compram, essa é a realidade. Esta é definitivamente a era do auge do poder económico, poder esse que ao longo da história sempre existiu mas equilibrado com ideias como a honra, a coragem e a força. Verificamos que a honra dos Homens de hoje desapareceu, assim como a coragem (poucos são os que largam tudo para trás em nome de um sonho) assim como a força (não física mas sim de espírito e personalidade). Tudo isto chegou a um estremo tal que, se Maquiavel fosse nosso contemporâneo certamente seria economista e faria um manual de “guerras económicas” porque, na realidade, são as únicas que existem na actualidade.
Há um tremendo abuso de um poder sem rosto, um poder que nos oprime de uma forma invisível, estamos a referirmo-nos ao poder económico. São tremendos os abusos que são feitos em todo o mudo. Julgamos que estamos mal? Certamente que muitos povos do hemisfério sul gostariam de viver “o nosso mal”. As injustiças são incomportáveis, chegamos a um momento de desumanidade brutal. Que justiça é esta? Que salvação para o mundo? Vivemos descansados, sem mover um dedo para, pelo menos, tentar remediar a situação, de uma forma cobarde delegamos a nossa irresponsabilidade nas Organizações Não Governamentais.
É necessária uma efectiva mobilização, o Homem tem que reclamar a sua essência, que aos poucos se perde numa globalização estranha que invade povos e impõe uma ditadura não só cultural mas também política e económica. A cultura ocidental, o capitalismo e a democracia são as ditaduras de hoje, quem não a segue é reprimido.
A passividade do ser humano a que hoje assistimos poderá, numa visão mais radical, conduzir a um 1984 à maneira de George Orwell.
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segunda-feira, 13 de abril de 2009
Meus caros amigos e concidadãos escrevo esta breve carta para vos dar conta da minha sensibilidade para com o momento altamente dramático que vivem. Devo dizer antes de mais que estou extremamente sensibilizado com os graves problemas que todos sofrem dia-a-dia.
Tenho 20 anos e compreendo que realmente a sina deste país é algo triste. Duas dezenas de anos desde que fui lançado para fora do ventre de minha mãe ouço dizer que o país está em crise. Estranho este pensamento mórbido que assola as mentes humanas destes portuguesinhos enquadrados em mundos obscuros de pessimismo como lei. Dizem eles que querem salvar-se da crise mas…a crise deixou de ser excepção e passou a ser condição. Este saudosismo absolutamente horripilante de nossos avós que gritam a revolta do “antigamente é que era bom” e de alguns retornados que exploravam em África os povos ditos “irmãos” para agora dizerem: “Em África é que era bom”. E eu digo que, lá no fundo, aqui é que é bom porque apesar de tudo, nunca vivemos tão bem como agora apesar de todas as típicas “manias” deste povinho absolutamente magnífico que transborda a sua falta de sabedoria sob este rectângulo que os norte-americanos (outro povo inteligente por sinal) dizem pertencer a Espanha.
Há por este país solarengo, com belas paisagens e com muito mar a arte do “deixa andar”. Uma arte milenar, começada a edificar nos tempos remotos da nossa civilização. Existe de certa forma uma falta de identidade e uma triste divisão entre norte e sul e entre litoral e interior que nada é salutar para um desenvolvimento efectivo do território. Que salvação queremos então para Portugal? Um país preso por fortes ideais religiosos, ideais esses atrofiantes para o desenvolvimento efectivo de um território dito laico no qual a laicização é relativa. Um rectângulo no qual a Igreja ainda tem peso e move alguns fiéis com palas nos olhos que vêem a verdade apenas e só na boca dos clérigos que seguem o tradicionalismo típico daqueles governos anteriores a 1974 e posteriores a 1926. A Igreja que proclama a salvação dos Homens e afunda os mesmos num atrofiante ciclo vicioso que é o grande responsável pela falta de desenvolvimento do país. Já Antero veiculava esta mesma ideia na sua célebre conferência no Casino Lisbonense sobre “As Causas da Decadência dos Povos Peninsulares”. Volvido mais de um século verificamos que os mesmos problemas apresentados por Antero se mantêm. Até quando? Pergunto-me?
O nosso povo gosta também de uns fadinhos e, a ouvir esses mesmos fadinhos, espera que o seu fado se cumpra sem ser necessário mover um dedo para que o futuro se concretize. Há uma falta de espírito de iniciativa estampada na cara de grande parte dos cidadãos deste nobre país, aquela mentalidade do “deixa andar” tão genuinamente portuguesa é um cliché da moral lusa. Assim sendo teremos nós moral enquanto povo para nos auto-denominarmos vítimas de uma crise? E olhar para essa mesma crise passivamente? Deixando tocar o nosso fadinho e vendo sagrado futebol de Sábado à noite, sem esquecer Fátima para completar a trilogia magnífica que ao longo do Estado Novo caracterizou este nobrezinho povinho. Mas…será só durante o Estado Novo que essa mesma trilogia foi efectiva? O passado desse tempo continua bem presente. A política dos 3 “f” continua a ser o circo deste povo, no entanto o pão começa a faltar mas parece que apesar disso o povo está satisfeitamente insatisfeito. Há uma relutância em fazer tão grande e uma passividade tão menos grande por parte deste povo que transformamos o nosso descontentamento apenas e só em greves perdidas por aqui e por acolá (à 6ª feira é claro para que o fim-de-semana seja prolongado).
Apesar de tudo há alguns que fazem, ou tentam fazer, mas para esses a “justiça” da crítica cai logo em cima. Sim, porque neste país quem trabalha sem receber dinheiro é “estúpido” ou quem tem iniciativas é considerado anormal e colocado imediatamente de parte do círculo da U.S.P.P. (União Social dos Passivos Portugueses). Esta “organização” que muitos pensam ser fictícia existe mesmo, bem no fundo das mentes desta população altamente qualificada para esvaziar as prateleiras das livrarias quando saem para a rua romances do José Rodrigues dos Santos ou para esgotar as bilheteiras do filme “Amália”. Há uma sem vontade absolutamente incompreensível que acaba por contaminar quem quer fazer algo por este pobre rectangulozinho. Muitos destes, que estão a ser contaminados pelo vírus da passividade (mandado disseminar pela USPP), fogem do país para não caírem na desgraça de uma caixa de supermercado qualquer ou então na desgraça de uma estúpida proliferação de sentimento antagónicos aos que lhes ensinaram nas ilhas que estão imunes deste tipo de vírus, (falamos evidentemente de algumas universidades).
Portugal é também um país de gente esperta, muito esperta por sinal, pena é que a sua esperteza seja conduzida para a injustiça que, em última análise, é também um factor determinante para fazer do nosso país um local com muito pouca justiça. Corrupção descaradamente apregoada por entre dentes corruptos de corpos corruptos. Uma elite política que procura encher a barriga em primeiro lugar, sugando este povo ignorante que se arrasta pelas calçadas, muitos deles sem dinheiro para calçado, e que são iludidos em falsos votos de esperança e numa grande falta concretização de promessas que ficam presas aos programas eleitorais que por aqui e por acolá são distribuídos. Temos uma população sem qualquer preparação, desprovida de quase tudo, não existe uma real evolução neste país que por vezes parece tropical visto que é definido inúmeras vezes como a República das Bananas. Justiça? Onde existe justiça neste cenário? Como salvar este “portugalinho” que em tempos disseram que estaria de tanga?
É triste meus amigos, muito triste falar-vos desta forma. Mas…as coisas não poderiam ser ditas de outra forma. Tenho muita pena mas esta é a minha visão, se não concordarem com a mesma estão à vontade para enviar uma resposta na qual usem da vossa oratória de demagogia para apresentar um ponto de vista talvez mais positivo.
Já ouviram falar em Educação? Certamente que todos vós já ouviram os sucessivos governos que por aqui passam dizer que “os problemas do país podem ser resolvidos com uma boa aposta na educação”. Onde está essa aposta? Sinceramente ainda não vi nada. Estranho não? Temos um sistema educativo caduco e pelas ruas da amargura, um ensino sem qualquer orientação no campo da formação pessoal dos cidadãos, preocupado apenas em injectar conhecimentos na cabeça dos estudantes, conhecimentos esses que, regra geral, não terão qualquer tipo de funcionalidade nos discentes. Por outro lado, a pedagogia de ensino orientada para a formação pessoal fica colocada de parte. Qual a razão? Será que vivemos num tempo em que temos que ser mais máquinas que Homens? Será exactamente por essa razão que as ciências sociais e humanas têm sido colocadas de parte para que as ciências exactas tenham, no nosso tempo, o primeiro lugar no que toca à importância do saber? Não seremos nós (Homens das ciências sociais e humanas) tão importantes quanto os outros? Se realmente somos qual será então o motivo para a sociedade nos colocar de lado. Injustiça? E a salvação onde cabe aqui? Na realidade, os Homens das ciências sociais são muito perigosos para os governos da nossa era por uma simples razão: Quem está ligado às ciências sociais e humanas executa, mas antes pensa. Nas ciências sociais não existem máquinas, existe antes um questionamento permanente de tudo. Homens desse tipo não interessam aos senhores de poder a nível nacional e mundial, o que realmente lhes interessa o tipo Homem-máquina, aquele que faz sem questionar.
Talvez sejamos assim, tão passivos, porque ao longo da história sempre tivemos tudo de mão beijada, não precisamos de mexer um dedo que fosse para que tudo nos caísse no colo sem qualquer necessidade de trabalho. No século XV foi o início de um período em que a riqueza abundava, o comércio com a África e com a Índia (mais tarde no século XVI) era uma realidade, o trabalho foi colocado de lado já que tudo nos vinha parar ao colo sem o mínimo esforço. Assim foi também mais tarde com a vinda das remessas de ouro do Brasil que nos permitiu construir monumentos gigantescos em território nacional. Até bem pouco tempo vivemos dos fundos da UE, muitos daqueles que beneficiaram desses mesmos fundos não os investiram nas suas actividades, optaram sim por gastar o dinheiro em bens pessoais. Tudo de mão beijada. Milhares e milhares de riquezas deitadas pela janela fora. Nós, portugueses somos mesmo assim. Temos as condições para evoluirmos: os meios, as pessoas, o capital só não temos…é a vontade. Como irá este povo ter salvação desta forma? A estranheza deste povo é digna de estudo realmente, muito sinceramente não quero é conhecer os resultados desse mesmo estudo. Tenho medo de me assustar.
Chegado a este ponto, meus caros amigos portugueses: qual a solução para o nosso Portugal? A resposta é simples, mudança de mentalidade. Só com uma mudança profunda nas mentalidades é que atingimos algo. Os tempos e a falta de desenvolvimento comprovam que não evoluímos assim tanto quanto pretendíamos, talvez porque o processo de alteração de mentalidades é longo, podendo o mesmo demorar séculos, quem sabe milénios. Enquanto as mentalidades não mudam, continuamos por cá a penar e a queixarmo-nos de tudo (português que é português tem que publicitar bem a sua vitimização) e esperamos que, à semelhança do que outrora aconteceu, tudo nos caia do céu. Talvez muitos esperem ainda o regresso do D. Sebastião. Hoje esteve nevoeiro, quando tal chegou hoje e nem dei conta.
Acordem por favor, é o que vos peço…nada mais!
Janeiro de 2009
Publicada por Rocha, André à(s) 10:31 3 comentários
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terça-feira, 24 de março de 2009
Diferenças que são não mais que semelhanças
Espanha...uma cópia de Portugal! Acho que há mais diferenças entre o Algarve (que é a Inglaterra) e o resto do território do que há de diferença entre Portugal e Espanha.
Sim, aqui em Espanha as pessoas também se lamentam da crise, também se queixam do governo, também dizem que os salários são muito baixos, também há pobreza (aliás mais que em Portugal), também há lojas de chineses que vendem tudo (inclusive mercearia), também há mortes nas estradas, também há tráfico de droga em grande escala...Será necessário ir para o estrangeiro para nos darmos conta do bom que é o nosso país? Devemos ter mais cuidado quando falamos mal de Portugal ou...pelo menos não nos devemos comparar tanto com os supostos desenvolvidos!!!
Publicada por Rocha, André à(s) 10:12 0 comentários
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